Código: FOCAL
Método: FOCALIZAÇÃO ISOELÉTRICA
Material: SORO E LÍQUOR
Interpretação
Classicamente as bandas oligoclonais eram observadas e relatadas no líquor para diagnóstico de Esclerose Múltipla. Nos dias atuais é descrito o aparecimento de bandas oligoclonais no soro, associadas a infecções agudas e crônicas, doenças crônicas e processos malignos. É observada também em pacientes com a imunidade alterada como em transplantados e pessoas com uma imunodeficiência grave, como no caso do HIV. Em pacientes transplantados, foi sugerido que isso ocorra devido à resposta do anticorpo associado ao sistema imune de defesa. A incidência desse aparecimento é dez vezes maior em pacientes com tratamento imunosupressivo após o transplante. Nos pacientes com HIV, a incidência de bandas oligoclonais é maior em pacientes com sarcoma de Kaposi do que em outras doenças oportunistas. A incidência também é grande em pacientes com HIV assintomáticos.
É importante ressaltar que as bandas oligoclonais de origem intratecal não são exclusivas da esclerose múltipla. Podem ser detectadas em outras patologias do sistema nervoso central como na polineuropatia inflamatória, lúpus do sistema nervoso central, tumores, infartos cerebrais e pancefalite esclerosante subaguda. Os dados do laboratório devem ser interpretados em conjunto com a clínica do paciente para seu diagnóstico.
São descritos no exame de pesquisa de bandas oligoclonais por isoletrofocalização, sendo os principais:
AUSÊNCIA DE BANDAS OLIGOCLONAIS. Não foram identificadas bandas oligoclonais adicionais no líquido cefalorraquidiano do paciente, quando comparado com uma amostra de soro correspondente.
PRESENÇA DE 2 OU MAIS BANDAS. São identificadas 2 ou mais bandas no líquido cefalorraquidiano do paciente, que não estão presentes na amostra de soro correspondente. Estas bandas indicam síntese intratecal anormal de gamaglobulinas. Este padrão é compatível com esclerose múltipla e inflamação do sistema nervoso central ou infecção e deve ser interpretado em conjunto com os dados clínicos e laboratoriais do paciente.
PRESENÇA DE 1 BANDA. Identifica-se 1 banda no líquido cefalorraquidiano do paciente que não está presente na amostra de soro correspondente. A presença de uma única banda não é evidência suficiente de síntese intratecal de IgG. Recomenda-se repetir o teste dentro de um determinado período, a criterio clinico, para avaliar a evolução do padrão de bandas. Caso ainda seja detectada uma única banda, descarta-se esclerose múltipla, a menos que os dados clínicos do paciente a indiquem.
O resultado deve ser avaliado pelo médico solicitante de acordo com a clínica do paciente.
Doenças Relacionadas
Esclerose múltipla, AIDS, Polineuropatia inflamatória